Jules Bianchi não respeitou limites

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014


O relatório da comissão que investigou o acidente do francês Jules Bianchi no GP Japão deste ano deixa pouca margem para dúvidas. O piloto da Marussia "não abrandou o suficiente [em zona de bandeiras amarelas] para evitar perder o controlo" do carro.

Entre os 10 elementos de comissão reunida pela FIA estavam Ross Brawn (ex- diretor da Mercedes e Brawn GP), Stefano Domenicali (ex-diretor da Ferrari) e o ex-bicampeão do Mundo Emerson Fittipaldi.

Num documento com 396 páginas, a equipa de investigadores recomendou o reforço das regras respeitantes às bandeiras amarelas, bem como a necessidade de estabelecer rígidos limites de velocidade durante esses momentos. Algo que será colocado em prática já em 2015, quando entrar em acção o "safety car virtual", sistema que obrigará os pilotos a respeitar determinada velocidade máxima (em todos os pontos do circuito) sempre que tal for necessário e o "safety car" não tenha sido chamado a intervir.

Não aos cockpits fechados

A comissão descartou eventuais sugestões de fechar os "cockpits" dos carros de Fórmula 1. Tal ideia surgiu de novo após o acidente de Bianchi, mas ela não é nem exequível do ponto de vista da identidade dos monolugares da F1, nem resolveria fosse o que fosse num acidente como o que ocorreu com o francês. "Há, muito simplesmente, pouca estrutura de impacto num carro de F1 para absorver toda a energia de um choque a 126 km/h", entre um monolugar que pesa 700 kg uma grua que tem... 6500 kg de peso.

O relatório sublinha ainda que "todas as medidas de segurança" foram corretamente accionadas durante a corrida em Suzuka. E recomenda que as provas não tenham início mais tarde do que 4 horas antes do pôr do sol (a menos que seja corrida noturna).

Outras sugestões da comissão no mesmo relatório apontam para a necessária preocupação do calendário em evitar provas organizadas durante a época de chuvas dos países anfitriões. A questão dos pneus de chuva também mereceu reparo, sugerindo os investigadores a realização de testes anuais com este tipo de pneus.

Recorde-se que Jules Bianchi, 25 anos, continua em coma depois do brutal acidente sofrido a 5 de outubro. 

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