Ex-parceiro de Hamilton lamenta falta de R$ 24 mi para entrar na F1

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Brasileiro Sérgio Jimenez lamenta falta de recursos financeiros para entrar na Fórmula 1. Foto: Ivan Pacheco/TerraSérgio Jimenez conviveu, mais de uma vez, com o incômodo rótulo de "sucessor de Ayrton Senna na Fórmula 1", por esbanjar talento e arrojo nos campeonatos de kart nacional. O jovem piloto do interior paulista, porém, nunca logrou entrar na categoria mais badalada do automobilismo mundial, ainda que tenha competido em importantes classes de acesso como a Fórmula Renault inglesa - como parceiro de equipe de Lewis Hamilton - e a GP2. Mas a falta de um enorme aporte financeiro, segundo ele, foi o principal fator para não conseguir ingressar na Fórmula 1. 
 
"Faltou dinheiro", resume Jimenez, que este ano ingressou nas temporadas da Itaipava GT Brasil e da Stock Car. "Sempre contei com muita ajuda, principalmente da minha família, e consegui chegar. Mas hoje em dia é mais importante ter dinheiro do que talento, pois é possível formar um piloto apenas com muito treinamento", acrescenta. 

Nascido na cidade de Piedade, em 15 de maio de 1984, Sérgio Jimenez foi tido como grande nome do kart brasileiro, conquistando, inclusive, o hexa nacional, e também se destacou na Fórmula Renault em 2002: foi o vencedor da categoria, e de uma maneira insólita, sem terminar uma corrida sequer na primeira posição. 

O regular piloto, então, ganhou para o ano seguinte uma oportunidade na Fortec Motorsport para correr ao lado do promissor britânico Lewis Hamilton na Fórmula Renault inglesa. Lá, porém, foi discreto e saiu no meio da temporada, antes mesmo de o piloto da McLaren alcançar o título. "Quando competi com o Lewis, já era o terceiro ano dele na Fórmula Renault, na mesma equipe, correndo em casa", aponta Jimenez. 

"Para mim faltou dinheiro e apoio. Seria necessário alguém para me ajudar, me dar conselhos, pois eu tinha 18 anos e era uma pessoa sozinha na Europa. O Hamilton, por exemplo, sempre esteve acompanhado por um ou mais membros da McLaren, ele tinha um estafe que o acompanhava desde a época de kart e o ensinava a como se comportar dentro e fora do carro", recorda o paulista. 

Jimenez teve nova oportunidade na GP2 em 2007 com a Racing Engineering, um ano após vencer a Fórmula 3 espanhola, mas ficou pouco tempo por lá. Ainda que houvesse obtido um sétimo e um quinto lugar na Espanha, ele acabou substituído por Ernesto Viso, hoje na Fórmula Indy, que levou à equipe todo um aporte financeiro do governo bolivariano da Venezuela de Hugo Chávez - semelhante ao que acontece na própria Fórmula 1 com Pastor Maldonado, da Williams. Ao brasileiro Jimenez, restou conformar-se. 

"Até 2008 meu foco sempre tinha sido a Fórmula 1, queria aquilo. Até recebi alguns convites depois para testar alguns carros, mas caiu a ficha: eu precisaria de 5 a 10 milhões de euros (cerca de R$ 12 a 24 milhões hoje em dia) para conseguir entrar. Se não, iria continuar naquela situação, ter tudo muito limitado: número de voltas, set de pneus, não poderia ousar e mostrar o que sei... é difícil, o mundo do automobilismo não é todo esse glamour que pensam", critica Jimenez, que, agora, quer firmar espaço nas categorias nacionais. 

"Acabei decidindo virar um piloto profissional, para poder viver do automobilismo. No início fiquei chateado, claro, e agora já não sei se aceitaria se recebesse alguma proposta para voltar. Pensaria, claro, mas... cheguei tarde para o automobilismo nacional, estou conseguindo meu espaço aos poucos e agora vou em busca de um esquema bom para mim", encerra. 

fonte: terra.com.br
Foto: Ivan Pacheco/Terra

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