Dezoito anos depois, Fórmula 1 terá reencontro entre Senna e Williams

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Bruno Senna era apenas um jovem kartista de dez anos de idade quando o tio Ayrton assinou com a Williams para a disputa da temporada 1994 da Fórmula 1. Uma história desenhada para ter final feliz, mas que culminou na morte prematura de um dos maiores ídolos do esporte mundial. E que, por tabela, paralisou a carreira de Bruno por quase uma década, até ele informar à família que queria, mesmo assim, virar um piloto profissional. Dezoito anos depois, a Williams terá novamente um Senna em seus cockpits. Mas tanto para a família Senna quanto para o time inglês, o cenário é bem diferente da união vivida nos últimos GPs de Ayrton na F-1.

Quando o competidor e a Williams se juntaram, em 1994, ambos eram referências na categoria. O piloto, tricampeão mundial, considerado o maior da época e um dos maiores de todos os tempos, estava no auge da forma; o time, ganhador de vários títulos de pilotos e construtores, vinha de uma sequência implacável de performance que levou Nigel Mansell e Alain Prost a faturar os campeonatos dos dois anos anteriores com bastante facilidade.
Porém, quando Senna chegou à equipe, as coisas não se encaixaram como desejado. Por causa das mudanças radicais no regulamento, o time não conseguiu criar um carro competitivo como nos anos anteriores, fazendo o piloto reclamar sistematicamente da falta de estabilidade. Após três poles em três corridas, o tricampeão mundial acabou sofrendo um acidente fatal, causado por uma ruptura da coluna de direção, quando liderava o GP de San Marino. Ayrton tinha 34 anos.

Aos 28 anos, idade em que o tio conquistou seu primeiro título mundial, Bruno ainda briga para se firmar na Fórmula 1. Sua experiência na categoria se limita a uma temporada completa na nanica HRT, onde estreou em 2010, e um ano na Renault-Lotus (atual Lotus), quando desempenhou o papel de piloto reserva por 11 corridas até ser promovido a titular nas oito provas finais. Com pouca quilometragem com o carro, seu melhor resultado foi um nono lugar.
Da mesma forma, aquela Williams vencedora e favorita ao título retrata uma era guardada num passado distante. O cartel de 113 vitórias (sendo 33 dobradinhas), 126 poles, 130 voltas mais rápidas, 296 pódios, além dos 16 títulos mundiais (sete de pilotos e nove de construtores), parece até incoerente diante do desempenho pífio da temporada 2011, quando marcou apenas cinco pontos, tendo um nono lugar como melhor resultado. A última vitória do time britânico foi no encerramento da temporada 2004. O último pódio, em 2008.

Outro dado da negociação que levou Bruno Senna à Williams reflete não apenas a precária situação financeira da equipe, que desde o ano passado apelou para os petrodólares do venezuelano Pastor Maldonado. Da mesma maneira que outros pilotos menos cotados e sem sobrenomes famosos, Bruno precisou levar um grande montante de patrocínio para a equipe de modo a conquistar sua vaga. Algo inimaginável quando Ayrton Senna e o proprietário do time, Frank Williams, acertaram um salário de alguns milhões de dólares para que o tricampeão defendesse as cores da equipe em 1994.
Bruno Senna acerta com a Williams na F1 (Foto: Divulgação)

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