Lotus frustra brasileiro e abre portas para vaga só em 2013

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Piloto reserva da Lotus, Luiz Razia, 22 anos, conversa com repórteres em Interlagos. Foto: Henrique Moretti/Terra Piloto reserva da Team Lotus, Luiz Razia tinha esperanças de conseguir uma vaga de titular na equipe para o ano que vem, mas provavelmente se contentará com a manutenção do posto atual. Diretor técnico da escuderia, Mike Gascoyne tem a opinião de que o brasileiro, 22 anos, ainda precisa de mais experiência, com o futuro em 2012 passando pela GP2.

"Eu gostaria de ver Luiz em outro ano de GP2, porque penso que ele precisa ganhar corridas de forma regular e procurar vencer o campeonato. Se ele fizer isso, quem sabe", afirmou Gascoyne nesta quinta-feira, adiando a estreia de Razia como titular no mínimo até 2013.

Nesta temporada, o brasileiro completou seu terceiro ano na categoria de acesso à Fórmula 1. Com a equipe Team AirAsia, comandada pelo empresário malaio Tony Fernandes, o mesmo dono da Lotus, ele terminou na 12ª posição geral. Seu melhor resultado foi a segunda colocação em Valência e em Abu Dhabi.
"Eu fiquei muito satisfeito ao ver o trabalho que ele fez em Abu Dhabi", prosseguiu Gascoyne, citando a prova que ocorreu entre 11 e 13 de novembro e que curiosamente não contava pontos para a classificação. "Foi muito, muito forte na corrida principal (segundo colocado) e teve um pouco de azar na corrida mais curta (oitavo) - deveria ter conseguido dois pódios".

Na quarta-feira, Razia concedeu entrevista em São Paulo e disse que buscava patrocínios para ter uma vaga de titular na Lotus ou em outras equipes com as quais negocia - cujos nomes não quis revelar.

Na Fórmula 1 atual na qual pilotos como o belga Jerome D'Ambrosio (da Virgin), o russo Vitaly Petrov (da Lotus Renault) e o venezuelano Pastor Maldonado (da Williams) levam uma grande quantidade de dinheiro a suas escuderias por meio de empresas que os apoiam, Gascoyne vê a Lotus como uma exceção, visto que conta com dois pilotos rodados que fazem um outro perfil: o italiano Jarno Trulli, 37 anos, e o finlandês Heikki Kovalainen, 30.

"Valeu a pena a decisão de não tomar esse caminho e de ter pilotos experientes. Acho que nos beneficiamos disso, eles ajudaram em nosso desenvolvimento", analisou. Questionado sobre a declaração de Razia, o dirigente respondeu: "patrocínios são sempre úteis, mas acho que Luiz precisa fazer mais um ano de GP2, testar em mais sextas-feiras conosco e então sua carreira pode dar um passo adiante".

Kovalainen diz que bater brasileiro é "desafio" em testes de Interlagos
 
Nesta sexta, por exemplo, Razia terá uma oportunidade de mostrar seu valor. Pela primeira vez participará dos treinos livres da F1, substituindo Trulli, e fará sua estreia justamente no Brasil. Kovalainen nega que ser acompanhado por um piloto reserva na primeira sessão de testes em Interlagos aumente a pressão.

"Não sinto pressão extra independentemente de quem dirija. Só me foco no meu trabalho, em não cometer erros, em levar o carro ao limite. Acho que Luiz fez um ótimo ano na GP2 e um bom dia de testes em Abu Dhabi", apontou, citando os trabalhos dos novatos dominados na última semana pela Red Bull do francês Jean-Éric Vergne. "Ele terá uma outra oportunidade amanhã (sexta), mas não sinto uma pressão extra, acho que é um desafio. Mas é muito bom, ele está pilotando, pegando uma milhagem, boa experiência. É seu país, é uma boa chance".

Nesta quinta, em tour promovido pela GE, uma das patrocinadoras da Lotus, podemos pôde visitar os boxes da escuderia. Em entrevista com Razia, o baiano manteve a esperança de correr como titular em 2012, ainda que Tony Fernandes já tenha anunciado a permanência de Kovalainen e Trulli.

"Contrato na F1 é muito estranho", disse ele, lembrando que vínculos podem ser rompidos. "Seria muito importante fazer um treino muito bom, constante, com voltas rápidas, dar o melhor feedback possível para a equipe. Depois vamos nos sentar, fazer uma mesa redonda e ver o que é melhor para 2012. Não tenho muito um plano. Vou ver o que o time tem a oferecer para mim, o que eles querem, e vamos entrar em um acordo".

 fonte: terra.com.br
Foto: Henrique Moretti/Terra

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