Fora da F1, Di Grassi desabafa: andei na frente de Petrov e Buemi

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Destaque nas categorias de base, Di Grassi venceu GP de Macau em 2005, batendo Kubica e Vettel. Foto: APUma situação inquieta Lucas di Grassi. Enquanto vê antigos companheiros de equipe como Paul di Resta, Vitaly Petrov e Sebastien Buemi guiando carros respectivamente de Force India, Lotus Renault e Toro Rosso, o brasileiro vive uma negociação "difícil" para voltar à Fórmula 1 em 2012. Ele atribui o cenário à falta de patrocínio, visto que, como frisa em entrevista por telefone, tem história e superou os três colegas em categorias menores do automobilismo mundial.

"Meu objetivo é voltar, mas, apesar de eu ter andado na frente de todos eles - Di Resta em 2005, Buemi em 2007 e Petrov em 2008 -, apesar de eu ter melhores resultados nas categorias de base, não consigo sem patrocínio", afirma Di Grassi, piloto da Virgin na temporada 2010 e atualmente responsável por testar para a Pirelli, fornecedora de pneus da F1.

O paulistano, 27 anos, construiu uma carreira de prestígio no automobilismo quando mais jovem. Em 2005, por exemplo, acabou como o terceiro colocado da Fórmula 3 Europeia correndo pela Manor, com 68 pontos - seu parceiro, o escocês Di Resta, 25, marcou 32 pontos e foi o décimo.

Em 2007, foi a vez de Buemi, 23, perder a disputa interna da ART Grand Prix para Di Grassi, vice-campeão da GP2 com 77 pontos em 21 corridas; o suíço, que entrou na categoria com a temporada em andamento, fez seis em 11 provas e terminou no 21º lugar.

No ano seguinte, também na GP2, o brasileiro defendeu a Campos e terminou na terceira posição com 63 pontos mesmo não tendo disputado as primeiras seis das 20 etapas do calendário; enquanto isso, seu companheiro, o russo Petrov, 27, participou da temporada inteira e somou 39 pontos, contentando-se com o sétimo posto.

"Tenho propostas em minha mão de algumas equipes da Fórmula 1, mas preciso arranjar um patrocinador. É difícil conseguir uma empresa brasileira decente o suficiente", diz Di Grassi, negando-se a citar o nome das escuderias em questão e criticando o atual panorama da categoria.

"Você vê que Sergio Perez (da Sauber), (Pastor) Maldonado (da Williams), (Jerome) D'Ambrosio (da Virgin), todos têm patrocínio grande. Na Virgin, se chegar com patrocino, você corre", aponta. Segundo ele, a chance dada a Bruno Senna, substituto do alemão Nick Heidfeld na Lotus Renault a partir do GP da Bélgica deste ano, também não foge a essa característica: "ele estava no lugar certo e na hora certa, mas só está lá também por causa dos patrocinadores que levou".

Di Grassi completou o que chama de "temporada muito boa" em 2010 com a Virgin - quando estreou na F1, não marcou pontos e concluiu o ano na 24ª colocação do campeonato, uma à frente do companheiro Timo Glock -, porém conta que seu patrocinador não quis renovar o contrato por se tratar de uma equipe que se mostrou muito "fraca".

Em outubro, o brasileiro comentou o Grande Prêmio da Coreia do Sul para a TV Globo e surpreendeu ao dizer que negociava com uma equipe para disputar o Grande Prêmio do Brasil deste fim de semana.

Novamente o acordo fracassou por falta de patrocínio, mas ele não desiste. "Meu objetivo é voltar, mas se não der certo quero ser piloto profissional, pode ser de DTM, Le Mans. Prefiro ganhar corrida independentemente da categoria do que ficar em último - é para isso que eu corro há 17 anos". A possível carreira como comentarista, assim, fica em segundo plano: "foi uma experiência que fiz, mas não estou na idade. Quem sabe no futuro".

fonte: terra.com.br
foto: ap

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