Higiene vira preocupação na Índia; pilotos usam desinfetantes e até uísque

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Enquanto os indianos aguardam para ver pela primeira vez um Grande Prêmio de Fórmula 1 em seu país, os pilotos que farão a festa criam formas cada dia mais originais para se prevenir de possíveis doenças relacionadas à higiene. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, além de não comerem fora, alguns corredores têm escovado os dentes com uísque e até tomado banhos com esparadrapo na boca para evitar qualquer contato com a água corrente da região onde ocorre a prova.

Um dos casos mais curiosos é o de Bruno Senna. Preocupado com a possibilidade de contrair uma gastroenterite, comum em regiões com notória falta de higiene, o piloto da Lotus tem levado um frasco de desinfetante para ser usado toda vez que cumprimenta alguém, ação descrita pelo próprio ao jornal como paranóica, porém necessária.

O caso não é nem de longe uma exceção entre corredores e equipes no país asiático. Segundo a Folha de S. Paulo, o campeão da temporada, Sebastian Vettel, tem feito bochechos com uísque após escovar os dentes, enquanto Rubens Barrichello, menos radical, utiliza água mineral engarrafada para a prática, também temeroso com o conteúdo que vem dos canos indianos.

No meio do nada

Naturalmente, certos preconceitos, nascidos de histórias relativas aos hábitos do país com população mais de seis vezes superior à brasileira - são cerca de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes -, colaboraram para a exagerada precaução de pilotos e equipes. Mas o autódromo Buddh International Circuit, construído em uma área isolada, localizada a 50 km da capital Nova Délhi - 1h30 de viagem devido à precariedade da estrada que liga a cidade ao circuito -, fez aumentar ainda mais essa concepção em relação ao país por parte dos envolvidos da Fórmula 1.

Tão logo chegou ao escritório cedido a ela para a semana, funcionários da Williams se depararam com uma surpresa. Uma família composta por seis pessoas - quatro delas crianças - havia feito do local moradia e precisou ser removida para que o espaço fosse usado conforme o inicialmente previsto pela equipe, de acordo com a Folha de S. Paulo. Ainda segundo o mesmo periódico, um forte cheiro de fezes exala da torre de controle do GP, já que, durante sua construção, os trabalhadores precisaram fazer suas necessidades no local por não terem banheiros disponíveis para isso.

Além da falta de higiene e dos contrastes do abismo social em que a população se encontra, o fato de ter sido construído em uma área isolada ainda rende aos profissionais envolvidos com o GP algumas situações no mínimo inusitadas. Segundo o site Autosport, na quinta-feira um morcego invadiu a sala de imprensa e causou apreensão dos presentes, que só ficaram aliviados quando funcionários o colocaram para fora. Também não é incomum a presença de ratos nos arredores do circuito.

A vida selvagem e a cultura local também têm impressionado os profissionais da velocidade. Rubens Barrichello, por exemplo, afirmou ao Estado de S. Paulo que, em sua primeira noite no país, acordou com um estranho barulho vindo da área externa do hotel. Logo constatou: era um elefante.

Apesar das peculiaridades, o chefe da Mercedes, Ross Brawn, defendeu a continuidade da prova no circuito. "As facilidade são boas. Nós sabemos que no próximo ano teremos uma melhora em todos os aspectos", disse em entrevista ao site Autosport.

fonte: terra.com.br

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