Nascar: Ainda em adaptação, Nelsinho Piquet promete se 'estabelecer'

terça-feira, 26 de julho de 2011

 

O sonho de repetir o sucesso do pai e vencer na Fórmula 1 parece ter ficado definitivamente para trás. Embora não tenha desistido de modo oficial, Nelsinho Piquet diz que só pensa em se "estabelecer" na Nascar após o período que ainda considera uma adaptação à categoria norte-americana. Recebido de braços abertos depois do escândalo na Renault, que ficou conhecido como "Cingarapuragate", em 2008 (no qual foi coagido a causar um acidente para benficiar Fernando Alonso, seu companheiro), o piloto recebeu a reportagem do Expresso do Esporte (veja o vídeo acima) em sua casa, na pacata cidade de Mooresville, e falou sobre futuro e a relação com adversários e engenheiros da nova empreitada.
A decisão de investir na Nascar foi tomada aos poucos, entre o fim do ano passado e o início deste. Inicialmente, seria apenas uma cortesia pelo convite recebido e uma forma de aprender mais e se manter na ativa. Mas Piquet, atual 12º colocado na classificação geral de mais de 80 competidores, gostou tanto do ambiente e dos carros que já não se vê mais longe.

- Aqui, virei Piquet Júnior. Foi uma mudança boa, é um estilo interessante de vida e de carreira. Quase não vinha para os Estados Unidos, minha vida girava em torno da Europa e do Brasil. Não tinha nem ideia como seria morar aqui. O plano agora é me estabelecer, vou levar um tempo para aprender tudo, já que é bem diferente. Os pilotos que estão aqui fazem isso há muito tempo, alguns há quase 20 anos. A carreira na Nascar também dura muito mais. Minha meta é ganhar uma corrida, depois um campeonato (na categoria Truck Series) e chegar na Cup (principal) para um dia disputar o maior título - projetou Nelsinho, de 26 anos, ciente das dificuldades que vem tendo para manter uma regularidade.

É difícil prever quando vai ser, pode ser em três ou seis anos. Vai depender das oportunidades e do tanto que vou demorar para aprender e me desenvolver. O começo, para encaixar, não é fácil. Depois, pode até melhorar rápido. Tenho de conhecer todo mundo, é tudo diferente: controle do carro, saber falar com o engenheiro no pit stop. Às vezes muda a temperatura da pista, e o acerto e o balanço dão trabalho. Não tem telemetria (equipamento que faz o boxe identificar qualquer variação no carro), como na F-1. É do regulamento. Tudo é feito para depender do piloto. Se sair de traseira, por exemplo, a equipe não sabe antes de você. Não tem contato além do rádio - esclareceu Piquet, que não é fã de pistas ovais, predominantes na categoria.

Além dele, Miguel Paludo é o outro brasileiro na Nascar, segundo esporte mais assistido nos EUA - atrás apenas do futebol americano e à frente de basquete e beisebol. Ele vê com bons olhos se tornar um pioneiro e abrir portas no automobilismo norte-americano.

Espero que sim. O Brasil tem talentos suficientes para migrar. Falta coragem dos pilotos tentar e investir. Há o caso do Miguel Paludo, que é quem está investindo o tempo dele aqui. Então, temos muitos indo para a Europa e muitos que não tiveram a sorte ou não conheceram as pessoas certas e poderiam vir para cá. Acho que adorariam essa cultura, esse clima saudável que a gente tem aqui - colocou.

'Churrasqueiro oficial'


A polêmica na qual se tornou o protagonista manchou de certa forma seu nome na F-1. Por isso, o isolamento tem feito bem a Nelsinho. Segundo ele, o clima com todos os que moram por perto é ótimo. Ele tem, inclusive, ensinado os locais a fazer um bom churrasco.

- Já tive que passar a nossa receita de churrasco para vários amigos. Eles têm mania de misturar com muito tempero de carne. Eu disse que é só sal, óleo e uma boa carne.

Único com experiência na maior categoria do automobilismo, o brasileiro revelou que não é interpelado a falar a respeito do circo da F-1. Isso porque são raros os que se interessam.

- É mais pelo fato de que a Fórmula 1 não tem visibilidade nenhuma nos EUA. Eles sabem o que é, que tem um prova no Canadá, já teve aqui e vai voltar a ter (em Indianápolis). Eles entendem, mas não dão valor, não - afirmou.

Altos salários na Nascar


O incentivo financeiro também teve peso no planejamento do futuro.

- Na categoria principal, o mais patrocinado é o Dale Júnior, que deve ganhar entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões por ano. Jeff Gordon, Jimmy Johnson, talvez US$ 20 milhões. Tem uns cinco ou seis muito parecidos com os tops da Fórmula 1 - revelou.

Piquet falou ainda sobre sua paixão por barcos (mora em uma casa ao lado do lago da cidade), seu início nas pistas com apoio do pai, tricampeão mundial da Fórmula 1, e a influência da descendência holandesa e alemã, que lhe tiraria um pouco da identidade com o Brasil.

fonte: globo.com

Posts Relacionados